
O título surge motivado por um texto de 1959, marcante para a Arquitectura Portuguesa – «A Responsabilidade de uma Novíssima Geração no Movimento Moderno em Portugal». O texto, escrito por Nuno Portas, publicado na revista Arquitectura, manifestava uma posição de fundo – interrogar “os jovens que se formaram e iniciaram a sua actuação em plena revisão do conceito de modernidade”, “não só nas suas ideias e intenções mas sobretudo nas suas obras”. A partir desta interrogação, Nuno Portas definia um dos eixos fundamentais da revista que, ao longo dos anos 60, viria a ocupar, como instrumento de «agit-prop», um lugar central na revisão crítica do Movimento Moderno em Portugal.
A reflexão teórica de Nuno Portas acompanhava atentamente a evolução dos posicionamentos ideológicos das diversas vias que se conformavam na altura. Escrevia, então, para diversas publicações, como a revista Arquitectura ou o Jornal de Letras e Artes. O papel que assumia na divulgação do debate internacional não era neutro, nem passivo. Pelo contrário, Portas, na sua escrita, inscrevia uma leitura crítica, comprometida, fornecendo assim uma chave de leitura fundamental para a compreensão da passagem da arquitectura portuguesa pelo período da revisão do Movimento Moderno.
Actualmente, há uma «novíssima geração» de arquitectos que se encontra perante um desafio. No contexto português, a realidade da prática profissional apresenta um cenário tenso para a maioria dos jovens que iniciam agora uma nova etapa do projecto que sonharam.
Segundo o Inquérito à Profissão, encomendado pela Ordem dos Arquitectos (OA) ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS_UL), 55% dos 15.000 arquitectos abrangidos pela OA tem menos de 35 anos. Acompanhando a massificação do ensino superior, o processo de rejuvenescimento da profissão foi abrupto – em 1988, havia 3.648 inscritos; em 1998, 8.121; e hoje, vamos a caminho dos 16.000. De acordo com o relatório apresentado pela equipa do ICS_UL, coordenada pelo sociólogo Manuel Villaverde Cabral, esta profunda renovação geracional que a profissão conheceu nas duas últimas décadas explica muitos dos problemas actuais enfrentados pela profissão, como também as diferentes modalidades de inserção na vida profissional, desde o acesso até ao pleno exercício da arquitectura em regime liberal, passando, naturalmente, pelos rendimentos auferidos.
Com a intenção de dar início a um debate profundo sobre a situação dos jovens arquitectos em Portugal, o Pelouro da Cultura da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN) apresenta o projecto «A caminho do País das Maravilhas: Jovens Arquitectos em Portugal», em parceria com o projecto austríaco Wonderland (plataforma de arquitectura de intercâmbio e apoio a jovens arquitectos sedeada em Viena). Nesse sentido, todas as terças-feiras, desde o início de Junho até 9 de Outubro (excepto no mês de Agosto), o espaço cultural Passos Manuel [na foto] recebe o projecto «A caminho do País das Maravilhas Road to Wonderland», explorando o debate através de conferências e apresentações de jovens arquitectos portugueses.
Os responsáveis pelo Pelouro da Cultura da OASRN, Luís Tavares Pereira, Teresa Novais e Filipa Guerreiro, no texto de apresentação da iniciativa, interrogam: “Com maiores dificuldades de acesso ao trabalho, quem são e o que fazem os jovens arquitectos? Como é que as crescentes oportunidades de intercâmbio e mobilidade internacional, em particular no espaço Europeu, marcam os jovens arquitectos?” Ao longo das 13 sessões previstas, pretendem, assim, “mapear este espaço de transição, entre a capacidade de sonhar com um País de Maravilhas, utópico e pleno de idealismo e a capacidade de aplicação e enquadramento pragmático desse programa num espaço de acção real”.
O jovem público tem correspondido ao desafio lançado, marcando uma forte presença no auditório do Passos Manuel. No entanto, hoje, 50 anos depois de uma geração interrogada por Nuno Portas, resta saber que respostas dará esta «novíssima geração».
A caminho do País das Maravilhas
O projecto «Road to Wonderland», através do blogue <idd.fba.up.pt/roadtowonderland>, gerido pelos arquitectos Bruno Baldaia e Tiago Correia, apresenta uma plataforma de discussão que enquadra os universos propostos pelo evento. O blogue funciona segundo um original e interessante formato – o da ingestão e digestão. A ingestão contém a informação relativa aos eventos programados e a digestão consiste na discussão dos temas levantados pelo ciclo de eventos. Num tempo marcado pelo «fast food», sem tempo para pensar no que comemos, este processo de degustação revela-se curioso.
Exige-arq
Ao longo da Conferência Internacional da Trienal de Arquitectura de Lisboa, circularam flyers pelas diversas filas do auditório do Teatro Camões, divulgando o movimento EXIGE-ARQ que se descreve como “um movimento sem directório que depende da acção individual de cada um para dar eco a uma causa comum e criar uma identidade colectiva - exigir a dignificação da condição de arquitecto em Portugal.” No recém-criado blogue <www.exige-arq.blogspot.com> pretende-se criar um fórum de debate, de troca de ideias e experiências, onde cada um possa dar o seu contributo.
Uma abordagem à revisão do 73/73
Dia 2 Julho, às 21h30, decorreu no Auditório de Serralves um debate com um painel notável de oradores - os arquitectos Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura, Nuno Brandão Costa, Paula Silva e os engenheiros António Adão da Fonseca, Raimundo Delgado, Rui Furtado, Rui Póvoas e Vítor Abrantes. Sob moderação dos arquitectos João Pedro Serôdio e Carlos Prata, o encontro pretendeu fazer uma aproximação cultural à boa prática do projecto e construção. A arquitecta Paula Santos apresentou o tema «Da prática à regulamentação, uma abordagem à revisão do 73/73», abrindo assim o debate.
© Pedro Baía
in SE7E / O Primeiro de Janeiro, 8 de Julho de 2007
A reflexão teórica de Nuno Portas acompanhava atentamente a evolução dos posicionamentos ideológicos das diversas vias que se conformavam na altura. Escrevia, então, para diversas publicações, como a revista Arquitectura ou o Jornal de Letras e Artes. O papel que assumia na divulgação do debate internacional não era neutro, nem passivo. Pelo contrário, Portas, na sua escrita, inscrevia uma leitura crítica, comprometida, fornecendo assim uma chave de leitura fundamental para a compreensão da passagem da arquitectura portuguesa pelo período da revisão do Movimento Moderno.
Actualmente, há uma «novíssima geração» de arquitectos que se encontra perante um desafio. No contexto português, a realidade da prática profissional apresenta um cenário tenso para a maioria dos jovens que iniciam agora uma nova etapa do projecto que sonharam.
Segundo o Inquérito à Profissão, encomendado pela Ordem dos Arquitectos (OA) ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS_UL), 55% dos 15.000 arquitectos abrangidos pela OA tem menos de 35 anos. Acompanhando a massificação do ensino superior, o processo de rejuvenescimento da profissão foi abrupto – em 1988, havia 3.648 inscritos; em 1998, 8.121; e hoje, vamos a caminho dos 16.000. De acordo com o relatório apresentado pela equipa do ICS_UL, coordenada pelo sociólogo Manuel Villaverde Cabral, esta profunda renovação geracional que a profissão conheceu nas duas últimas décadas explica muitos dos problemas actuais enfrentados pela profissão, como também as diferentes modalidades de inserção na vida profissional, desde o acesso até ao pleno exercício da arquitectura em regime liberal, passando, naturalmente, pelos rendimentos auferidos.
Com a intenção de dar início a um debate profundo sobre a situação dos jovens arquitectos em Portugal, o Pelouro da Cultura da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos (OASRN) apresenta o projecto «A caminho do País das Maravilhas: Jovens Arquitectos em Portugal», em parceria com o projecto austríaco Wonderland (plataforma de arquitectura de intercâmbio e apoio a jovens arquitectos sedeada em Viena). Nesse sentido, todas as terças-feiras, desde o início de Junho até 9 de Outubro (excepto no mês de Agosto), o espaço cultural Passos Manuel [na foto] recebe o projecto «A caminho do País das Maravilhas Road to Wonderland», explorando o debate através de conferências e apresentações de jovens arquitectos portugueses.
Os responsáveis pelo Pelouro da Cultura da OASRN, Luís Tavares Pereira, Teresa Novais e Filipa Guerreiro, no texto de apresentação da iniciativa, interrogam: “Com maiores dificuldades de acesso ao trabalho, quem são e o que fazem os jovens arquitectos? Como é que as crescentes oportunidades de intercâmbio e mobilidade internacional, em particular no espaço Europeu, marcam os jovens arquitectos?” Ao longo das 13 sessões previstas, pretendem, assim, “mapear este espaço de transição, entre a capacidade de sonhar com um País de Maravilhas, utópico e pleno de idealismo e a capacidade de aplicação e enquadramento pragmático desse programa num espaço de acção real”.
O jovem público tem correspondido ao desafio lançado, marcando uma forte presença no auditório do Passos Manuel. No entanto, hoje, 50 anos depois de uma geração interrogada por Nuno Portas, resta saber que respostas dará esta «novíssima geração».
A caminho do País das Maravilhas
O projecto «Road to Wonderland», através do blogue <idd.fba.up.pt/roadtowonderland>, gerido pelos arquitectos Bruno Baldaia e Tiago Correia, apresenta uma plataforma de discussão que enquadra os universos propostos pelo evento. O blogue funciona segundo um original e interessante formato – o da ingestão e digestão. A ingestão contém a informação relativa aos eventos programados e a digestão consiste na discussão dos temas levantados pelo ciclo de eventos. Num tempo marcado pelo «fast food», sem tempo para pensar no que comemos, este processo de degustação revela-se curioso.
Exige-arq
Ao longo da Conferência Internacional da Trienal de Arquitectura de Lisboa, circularam flyers pelas diversas filas do auditório do Teatro Camões, divulgando o movimento EXIGE-ARQ que se descreve como “um movimento sem directório que depende da acção individual de cada um para dar eco a uma causa comum e criar uma identidade colectiva - exigir a dignificação da condição de arquitecto em Portugal.” No recém-criado blogue <www.exige-arq.blogspot.com> pretende-se criar um fórum de debate, de troca de ideias e experiências, onde cada um possa dar o seu contributo.
Uma abordagem à revisão do 73/73
Dia 2 Julho, às 21h30, decorreu no Auditório de Serralves um debate com um painel notável de oradores - os arquitectos Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura, Nuno Brandão Costa, Paula Silva e os engenheiros António Adão da Fonseca, Raimundo Delgado, Rui Furtado, Rui Póvoas e Vítor Abrantes. Sob moderação dos arquitectos João Pedro Serôdio e Carlos Prata, o encontro pretendeu fazer uma aproximação cultural à boa prática do projecto e construção. A arquitecta Paula Santos apresentou o tema «Da prática à regulamentação, uma abordagem à revisão do 73/73», abrindo assim o debate.
© Pedro Baía
in SE7E / O Primeiro de Janeiro, 8 de Julho de 2007