
A primeira edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa vai finalmente arrancar - de 31 de Maio a 31 de Julho. Dedicada ao tema dos Vazios Urbanos, a Trienal de Lisboa pretende estabelecer uma plataforma de debate sobre as questões relacionadas com os espaços expectantes que povoam a paisagem das nossas cidades. Propõe assim reunir, no mesmo plano de reflexão, arquitectos, urbanistas, paisagistas, artistas e pensadores, juntamente com entidades administrativas, investidores, promotores e construtores.
No dia 15 de Maio, o comissário geral da Trienal, José Mateus e o comissário executivo Nuno Sampaio apresentaram o programa do evento na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. Na apresentação, José Mateus confessou que a estreia da Trienal coincide estrategicamente com o ano em que Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia, de modo a aproveitar o previsível cenário de cobertura mediática internacional. A presidência portuguesa, com início a 1 de Julho, prolongando-se até ao fim do ano, será motivo de diversas visitas de estado ao mais alto nível, arrastando atrás de si equipas de jornalistas de todo o mundo.
Segundo as palavras do comissário-geral, um dos objectivos principais da Trienal consiste na projecção da arquitectura portuguesa no exterior, pretendendo, assim, colmatar a ausência de Portugal no campo internacional da cultura arquitectónica. Como recordou, Espanha possui hoje dois grandes instrumentos de divulgação da arquitectura espanhola, as revistas El Croquis e ArquitecturaViva e, por outro lado, Itália marca a agenda internacional com a carismática Bienal de Veneza e a Trienal de Milão. A Trienal de Lisboa assume a ambição, o desafio, de pretender entrar no circuito dos mais prestigiados eventos de arquitectura mundiais. Não é tarefa fácil. Neste momento, por exemplo, está a decorrer em Roterdão, de 24 de Maio a 2 de Setembro, a 3ª Bienal de Arquitectura; no fim do ano, é a vez de entrar em cena a 7ª Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo.
A marcar o início da Trienal de Lisboa, destaca-se a conferência internacional, O Coração da Cidade, que terá lugar no Teatro Camões. Em homenagem ao oitavo Congresso Internacional de Arquitectura Moderna (CIAM), de 1951, subordinado ao tema The heart of the city, a conferência constitui um dos momentos mais aguardados do evento. E a lotação já está esgotada. Durante três dias, de 31 de Maio a 2 de Junho, apenas 800 pessoas terão a possibilidade de partilhar reflexões com alguns dos mais importantes protagonistas da cena internacional.
Tal como num festival de música, encontra-se oficialmente encerrado o cartaz da Trienal. No palco do Teatro Camões, poderemos assistir a nomes tão diferentes como Zaha Hadid, Elizabeth Diller, Mark Wigley ou Dominique Perrault. Infelizmente, dois cabeças-de-cartaz não estarão presentes, Peter Eisenman e Alejandro Zaera Polo.
Recordamos, no entanto, que já em 2001, na cidade do Porto, no Edifício da Alfândega, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, aconteceu o Seminário de Arquitectura Prototypo – Cidade em Performance. Um seminário, promovido pela revista de arquitectura Prototypo (o mais bem sucedido projecto editorial português), que apresentou um painel notável de destacados autores da arquitectura contemporânea. Podemos considerar o Seminário Prototypo como primeiro ensaio para realizar, seis anos depois, a Conferência Internacional da Trienal de Lisboa. O comissariado, constituído por Paulo Martins Barata, Gerrit Confurius e Luís Tavares Pereira, é agora praticamente o mesmo, com a alteração de Confurius por Luis Fernández-Galiano. Sente-se, portanto, uma continuidade entre os dois eventos.
Mas, para além de Galiano, o que mudou realmente entre 2001 e 2007? A estrutura e o programa da Trienal é francamente maior e mais diversa, com iniciativas, exposições e extensões várias, concursos de arquitectura e cruzamentos disciplinares com outras áreas artísticas. A principal mudança dos últimos seis anos sente-se na importância, cada vez maior, que a internet ocupa no espaço de intervenção cultural. O site da Trienal, onde se pode consultar toda a programação, complementa-se com o blog <trienal.blogs.sapo.pt>, coordenado pelo blogger arquitecto Daniel Carrapa. Estes encontros, oportunidades de reflexão disciplinar, são também momentos de celebração. É o caso da homenagem a Álvaro Siza Vieira, na exposição monográfica no Museu da Electricidade. Ou da exposição Nascidos nos anos 50, no Pavilhão de Portugal, com os autores Diller & Scofidio, Mansilla + Tuñón, João Luís Carrilho da Graça, Eduardo Souto Moura e Zaha Hadid. Na Trienal cruzam-se percursos intensos, consistentes e exigentes. Momento inspirador.
A barriga de um arquitecto
Criado e mantido pelo arquitecto Daniel Carrapa, o blog <abarrigadeumarquitecto.blogspot.com> constitui um dos casos mais interessantes da web. Com uma longevidade invulgar, desde Dezembro de 2003 a escrever com regularidade, o blog tem vindo a ganhar, de uma forma consistente, cada vez mais leitores/visitantes. Daniel Carrapa revela e partilha os seus interesses, leituras, descobertas. Tendo como património a rede que foi tecendo, de links, posts, comentários, feedbacks, Carrapa tem vindo a ser convidado a participar em várias conferências... De onde escreve Carrapa?
Últimas Reportagens
O trabalho de fotografia de arquitectura dos irmãos Fernando e Sérgio Guerra, arquitectos, tem-se revelado um fenómeno surpreendente. O percurso dos irmãos Fernando Guerra - fotógrafo, e Sérgio Guerra - produtor, na empresa FG+SG, soube tirar partido das potencialidades da era digital, e assim divulgar as suas últimas reportagens em <www.ultimasreportagens.com>. O seu trabalho tem-se revelado importante na divulgação internacional da arquitectura portuguesa recente, sendo possível encontrar fotografias da autoria FG+SG nas exposições da Trienal.
Road to Wonderland
A Trienal de Lisboa estender-se-á à cidade do Porto. Road to Wonderland - A Caminho do País das Maravilhas será uma das várias iniciativas, a decorrer de 5 de Junho a 9 de Outubro no Passos Manuel. Trata-se de um ciclo de conferências promovido pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, em parceria com o projecto austríaco Wonderland, <www.wonderland.cx>. O evento alarga, assim, a rede europeia, reunindo jovens arquitectos em Portugal numa reflexão dos seus percursos plurais.
© Pedro Baía
in SE7E / O Primeiro de Janeiro, 27 de Maio de 2007
No dia 15 de Maio, o comissário geral da Trienal, José Mateus e o comissário executivo Nuno Sampaio apresentaram o programa do evento na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. Na apresentação, José Mateus confessou que a estreia da Trienal coincide estrategicamente com o ano em que Portugal assume a Presidência do Conselho da União Europeia, de modo a aproveitar o previsível cenário de cobertura mediática internacional. A presidência portuguesa, com início a 1 de Julho, prolongando-se até ao fim do ano, será motivo de diversas visitas de estado ao mais alto nível, arrastando atrás de si equipas de jornalistas de todo o mundo.
Segundo as palavras do comissário-geral, um dos objectivos principais da Trienal consiste na projecção da arquitectura portuguesa no exterior, pretendendo, assim, colmatar a ausência de Portugal no campo internacional da cultura arquitectónica. Como recordou, Espanha possui hoje dois grandes instrumentos de divulgação da arquitectura espanhola, as revistas El Croquis e ArquitecturaViva e, por outro lado, Itália marca a agenda internacional com a carismática Bienal de Veneza e a Trienal de Milão. A Trienal de Lisboa assume a ambição, o desafio, de pretender entrar no circuito dos mais prestigiados eventos de arquitectura mundiais. Não é tarefa fácil. Neste momento, por exemplo, está a decorrer em Roterdão, de 24 de Maio a 2 de Setembro, a 3ª Bienal de Arquitectura; no fim do ano, é a vez de entrar em cena a 7ª Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo.
A marcar o início da Trienal de Lisboa, destaca-se a conferência internacional, O Coração da Cidade, que terá lugar no Teatro Camões. Em homenagem ao oitavo Congresso Internacional de Arquitectura Moderna (CIAM), de 1951, subordinado ao tema The heart of the city, a conferência constitui um dos momentos mais aguardados do evento. E a lotação já está esgotada. Durante três dias, de 31 de Maio a 2 de Junho, apenas 800 pessoas terão a possibilidade de partilhar reflexões com alguns dos mais importantes protagonistas da cena internacional.
Tal como num festival de música, encontra-se oficialmente encerrado o cartaz da Trienal. No palco do Teatro Camões, poderemos assistir a nomes tão diferentes como Zaha Hadid, Elizabeth Diller, Mark Wigley ou Dominique Perrault. Infelizmente, dois cabeças-de-cartaz não estarão presentes, Peter Eisenman e Alejandro Zaera Polo.
Recordamos, no entanto, que já em 2001, na cidade do Porto, no Edifício da Alfândega, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, aconteceu o Seminário de Arquitectura Prototypo – Cidade em Performance. Um seminário, promovido pela revista de arquitectura Prototypo (o mais bem sucedido projecto editorial português), que apresentou um painel notável de destacados autores da arquitectura contemporânea. Podemos considerar o Seminário Prototypo como primeiro ensaio para realizar, seis anos depois, a Conferência Internacional da Trienal de Lisboa. O comissariado, constituído por Paulo Martins Barata, Gerrit Confurius e Luís Tavares Pereira, é agora praticamente o mesmo, com a alteração de Confurius por Luis Fernández-Galiano. Sente-se, portanto, uma continuidade entre os dois eventos.
Mas, para além de Galiano, o que mudou realmente entre 2001 e 2007? A estrutura e o programa da Trienal é francamente maior e mais diversa, com iniciativas, exposições e extensões várias, concursos de arquitectura e cruzamentos disciplinares com outras áreas artísticas. A principal mudança dos últimos seis anos sente-se na importância, cada vez maior, que a internet ocupa no espaço de intervenção cultural. O site da Trienal, onde se pode consultar toda a programação, complementa-se com o blog <trienal.blogs.sapo.pt>, coordenado pelo blogger arquitecto Daniel Carrapa. Estes encontros, oportunidades de reflexão disciplinar, são também momentos de celebração. É o caso da homenagem a Álvaro Siza Vieira, na exposição monográfica no Museu da Electricidade. Ou da exposição Nascidos nos anos 50, no Pavilhão de Portugal, com os autores Diller & Scofidio, Mansilla + Tuñón, João Luís Carrilho da Graça, Eduardo Souto Moura e Zaha Hadid. Na Trienal cruzam-se percursos intensos, consistentes e exigentes. Momento inspirador.
A barriga de um arquitecto
Criado e mantido pelo arquitecto Daniel Carrapa, o blog <abarrigadeumarquitecto.blogspot.com> constitui um dos casos mais interessantes da web. Com uma longevidade invulgar, desde Dezembro de 2003 a escrever com regularidade, o blog tem vindo a ganhar, de uma forma consistente, cada vez mais leitores/visitantes. Daniel Carrapa revela e partilha os seus interesses, leituras, descobertas. Tendo como património a rede que foi tecendo, de links, posts, comentários, feedbacks, Carrapa tem vindo a ser convidado a participar em várias conferências... De onde escreve Carrapa?
Últimas Reportagens
O trabalho de fotografia de arquitectura dos irmãos Fernando e Sérgio Guerra, arquitectos, tem-se revelado um fenómeno surpreendente. O percurso dos irmãos Fernando Guerra - fotógrafo, e Sérgio Guerra - produtor, na empresa FG+SG, soube tirar partido das potencialidades da era digital, e assim divulgar as suas últimas reportagens em <www.ultimasreportagens.com>. O seu trabalho tem-se revelado importante na divulgação internacional da arquitectura portuguesa recente, sendo possível encontrar fotografias da autoria FG+SG nas exposições da Trienal.
Road to Wonderland
A Trienal de Lisboa estender-se-á à cidade do Porto. Road to Wonderland - A Caminho do País das Maravilhas será uma das várias iniciativas, a decorrer de 5 de Junho a 9 de Outubro no Passos Manuel. Trata-se de um ciclo de conferências promovido pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, em parceria com o projecto austríaco Wonderland, <www.wonderland.cx>. O evento alarga, assim, a rede europeia, reunindo jovens arquitectos em Portugal numa reflexão dos seus percursos plurais.
© Pedro Baía
in SE7E / O Primeiro de Janeiro, 27 de Maio de 2007